Cobrindo mais de 6 milhões de quilômetros quadrados nos nove países em que se encontra a floresta, usuário da plataforma pode acompanhar por imagens de satélites impactos ambientais gerados pela exploração mineral.

A destruição de rios e florestas causada pela mineração em diferentes regiões dos mais de 6,7 milhões de quilômetros da Amazônia, já pode ser acompanhada à distância por qualquer pessoa via computador ou smartphone. Lançada hoje, a plataforma Amazon Mining Watch detecta  por meio de inteligência artificial as atividades de garimpo legal, ilegal e qualquer tipo de mineração a céu aberto do território amazônico nos nove países sulamericanos.

Criado pela  Rainforest Investigations Network (RIN) do Pulitzer Center em parceria com  a Earthrise Media, a plataforma é alimentada por um algoritmo que analisa 326 milhões imagens de alta resolução a cada quatro meses, cobrindo toda a região. Todos os dados gerados e publicados no site estão disponíveis para download.

Divulgação/AMW

Em sua análise inaugural, o algoritmo da Amazon Mining Watch identificou uma área com características de atividade de mineração do tamanho de 6,8 mil quilômetros quadrados. Um impacto ambiental na maior floresta tropical do mundo equivalente a cerca de quatro vezes a cidade inteira de Nova Iorque. A cada quatro meses, a partir de novos dados, a plataforma divulgará  atualização de sua análise sobre o estado da mineração na Amazônia.

Os criadores da plataforma ressaltam que não é possível determinar quais locais de mineração são legais e quais são ilegais e que, também, por ser um método de reconhecimento automático podem ocorrer falsos positivos.

“O principal objetivo da Amazon Mining Watch é encorajar jornalistas, pesquisadores e ativistas a usar os dados como um trampolim para investigar mais profundamente os resultados, contribuindo assim para contextualizar as descobertas do modelo de inteligência artificial”, destacam seus criadores.

Os estudos realizados já colaboraram para diversas séries de reportagens que procuram denunciar a atividade ilegal do garimpo e documentar seus impactos no meio ambiente e nas comunidades indígenas, incluindo reportagem publicada aqui no InfoAmazonia.

A Rainforest Investigations Network (RIN) foi criada pelo Pulitzer Center, em 2020, para apoiar jornalistas de investigação nas três principais regiões de floresta tropical: a Amazônia, a Bacia do Congo e o Sudeste Asiático. Em dois anos de atividade, a rede apoiou 25 bolsas de estudo a repórteres que investigam crimes ambientais, corrupção e as cadeias de abastecimento que impulsionam a destruição das florestas.

Como funciona o algoritmo

A Earthrise Media, uma organização dedicada a apoiar comunicadores e organizações no uso da análise geoespacial, convidou estudantes do ensino médio nos Estados Unidos para “maratonas de identificação” de minas utilizando imagens de satélite da Amazônia. Este esforço acabou “treinando” o algoritmo para reconhecer as características de um garimpo, tornando possível aos computadores distinguir as áreas de mineração de outros usos da terra, como a agricultura.

Este modelo estatístico e computacional, conhecido como rede neural artificial, foi treinado para observar quadrículas do tamanho de 44 por 44 pixels, um equivalente a 440m por 440m no solo. Isto foi feito com milhares de imagens de satélite Sentinel 2 dos últimos quatro meses. 

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