El Niño pode expor efeitos da decisão eleitoral já no início do próximo governo

Com previsão de secas e incêndios intensos até 2027, as propostas dos candidatos para adaptação climática podem influenciar a resposta do próximo governo. Enquanto Lula prevê ampliar políticas de adaptação e prevenção de desastres, Flávio Bolsonaro não apresenta medidas diretamente voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas e, durante a campanha, afirmou não acreditar na influência humana no aquecimento global.

Flávio Bolsonaro promete acabar com ‘entraves ambientais’, Lula defende fiscalização forte

Candidato do PL prevê ‘revogaço regulatório’, mudanças nas atribuições dos órgãos ambientais e licenciamento acelerado para obras de infraestrutura e mineração. Lula propõe manter o combate aos crimes ambientais e fortalecimento dos órgãos de fiscalização e controle, que tiveram papel central na redução de 71% do desmatamento durante a sua gestão.

Só 1% do orçamento foi destinado ao clima por candidatos a governador que buscam permanecer no poder na Amazônia

Em cinco estados da Amazônia Legal, candidatos à reeleição e políticos que assumiram o governo durante o atual mandato disputam a permanência no cargo. Apesar de todos citarem a agenda climática em seus planos de governo para 2026, juntos, os cinco governos empenharam apenas 1,3% do orçamento em despesas relacionadas ao tema desde 2023: R$ 6,4 bilhões, contra R$ 475 bilhões em gastos não relacionados ao clima.

Minerais estratégicos: Lula defende soberania, enquanto Flávio quer acelerar exploração

Com 48% dos processos de minerais críticos e estratégicos, a Amazônia será diretamente afetada pelas regras que o próximo governo terá de regulamentar, incluindo salvaguardas socioambientais e participação de comunidades. A InfoAmazonia analisou os planos e discursos dos dois candidatos à presidência sobre o tema, que divergem quanto ao licenciamento e à abertura para investidores estrangeiros.

O páramo que é pago por serviços hídricos, mas ninguém vê o dinheiro

Nos páramos dos Andes nascem muitos rios que alimentam o Amazonas e chegam ao Atlântico, como parte de um sistema continental que depois devolve essa água em forma de chuva. Milhões de pessoas dependem dessa água para consumo, irrigação e energia elétrica, mas os páramos enfrentam graves problemas que afetam sua capacidade de fornecimento. Por isso a ciência busca estratégias para entendê-los melhor e preservá-los. Poucos páramos ilustram esse paradoxo como o de Cumbal, no sul da Colômbia, que tem um projeto de venda de créditos de carbono que recompensa os habitantes por cuidarem do ecossistema e do serviço ambiental que ele presta. Contudo, as pessoas ainda não receberam o dinheiro prometido.

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