Em último debate antes do primeiro turno, repercussão nas redes sociais manteve padrão de outros eventos televisionados: usuários pró-Bolsonaro discutiram assuntos isoladamente, dentro da própria bolha, enquanto grupos contrários ao candidato lideraram o engajamento.

A noite da última quinta-feira (29), durante o último debate dos presidenciáveis na TV Globo, registrou o mais alto índice de menções a temas da Amazônia no Twitter das últimas dez semanas. O maior engajamento foi registrado em torno de perfis de influenciadores indígenas.

Em apenas meia hora, das 23h às 0h10, o volume de menções a esses temas conforme captado pela ferramenta Trendsmap: Ferramenta de monitoramento global de postagens feitas no Twitter, que permite busca por palavra e local chegou a 34,5 mil mensagens. O horário do pico foi próximo aos trechos do debate em que os candidatos trataram de temas como mudanças climáticas e meio ambiente, geralmente em tom de acusação. Só nesta madrugada, foram 125,2 mil menções. 

Foram buscadas na ferramenta menções a desmatamento, garimpo, mineração, grileiros, ribeirinhos, queimadas, indígenas e Ibama. Além dessas palavras, o Trendsmap localiza outros termos citados nas mesmas mensagens. 

Os nomes mais frequentes foram os de Bolsonaro (10% das mensagens) e Lula (7%). A palavra “indígenas” também foi mencionada em 7% das mensagens; desmatamento, em 3%.

Os pontos em que houve mais menções aos temas ligados à Amazônia foram próximos às interações entre Tebet e Bolsonaro, Tebet e Lula e Ciro e Lula citando temas de mudanças climáticas e meio ambiente. Soraya Thronicke também tocou na questão indígena ao debater com Kelmon.

Nas interações entre os perfis, além do isolamento da bolha bolsonarista já analisado anteriormente, é interessante observar os clusters de interação em torno de perfis de personalidades indígenas.

Grupo pró-Bolsonaro é ‘bolha’ posicionada abaixo, isolada do restante do debate da noite desta quinta-feira (29)

A jornalista indígena @karibuxi foi quem atraiu o maior volume de interações ao redor do seu perfil. É o agrupamento marcado em verde claro no grafo abaixo:

Durante o debate, ela compartilhou um fio mostrando as ações anti-indígenas das presidenciáveis Soraya Thronicke (União) e Simone Tebet (MDB). O tuíte inicial teve mais de 120 mil curtidas e 20,5 mil compartilhamentos.

O fio inclui um vídeo em que a hoje candidata a deputada federal Sônia Guajajara (PSOL-SP) explica à presidenciável Soraya Thronicke (União Brasil) as diferenças entre a maneira como os indígenas e o agronegócio veem o uso das terras indígenas.

Quando o candidato Kelmon (PTB), que vestia uma batina, falou sobre a catequização dos índios como elemento fundador do Brasil, Karibuxi respondeu.

E, quando Thronicke, que se compara a uma espécie de mulher-onça em suas propagandas eleitorais, fez críticas ao autodenominado vigário, Karibuxi resgatou uma pintura de 1907:

(Hoje, ela compartilhou em sua conta uma mensagem informando que uma prima sua havia sido vítima de feminicídio. Nossas condolências.)

Outro perfil indígena que atraiu muito engajamento ao redor de temas da Amazônia foi o de Sam Luz, também com críticas à postura ruralista das duas candidatas, que foram elogiadas na rede social por se colocarem em contraponto a Bolsonaro e a Lula. É o agrupamento marcado em cor rosa, próximo ao de Karibuxi.


Reportagem do InfoAmazonia para o PlenaMata, em parceria com a Sala de Democracia Digital da FGV ECMI, uma iniciativa de monitoramento e análise do debate público na internet.

Sobre o autor

Jornalista formado pela UFRGS, especializado em jornalismo de dados. Trabalhou para jornais como Folha de S.Paulo e Los Angeles Times e é membro do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos...

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