Na noite desta quinta-feira (29), em debate com os candidatos à Presidência na TV Globo, a candidata Simone Tebet (MDB) respondeu a uma pergunta de Lula (PT) sobre as mudanças climáticas e a fundamentou com seguinte dado: “neste momento que estamos conversando, candidato Lula, 3 mil árvores foram derrubadas na Amazônia”. 

Neste momento que estamos conversando, candidato Lula, 3 mil árvores foram derrubadas na Amazônia, essa é a média. Nós temos que cuidar do meio ambiente, nós temos que cuidar do agronegócio, e nós temos que cuidar da agricultura familiar.

Simone Tebet, candidata à Presidência

O número citado por Tebet é resultado de uma ferramenta desenvolvida pelo MapBiomas para o PlenaMata, o Contador de Árvores Derrubadas: Ferramenta desenvolvida pelo MapBiomas/PlenaMata que estima em tempo real quantas árvores são derrubadas na Amazônia Legal brasileira. Na semana de 8 a 15 de setembro, como noticiou o PlenaMata, foram derrubadas quase 3 mil árvores por minuto — dado usado pela candidata. Na última semana, a taxa desacelerou para pouco mais de 2 mil árvores por minuto, mas permanece ainda bastante alta — a média de todo o ano de 2022 é de 1.204 árvores por minuto. 

Contador do PlenaMata traz estimativa em tempo real de árvores derrubadas na Amazônia Legal. No fechamento desta reportagem, em 30 de setembro, marcava 447 milhões de árvores derrubadas por desmatamento em 2022.

Durante o debate, alguns telespectadores chegaram a se assustar com o número – e ele é assustador – e comentar nas redes sociais. Ao todo, desde o início do ano, a Amazônia perdeu mais de 6 cidades do Rio de Janeiro (7.916 km²) em floresta.

Como funciona o contador

O Monitor da Floresta inclui um contador de árvores derrubadas, que utiliza como base os alertas diários de áreas desmatadas do DETER: Ferramenta do governo federal que gera alertas rápidos para evidências de alteração da cobertura florestal na Amazônia e no Cerrado[+], do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e multiplica pela quantidade média de árvores estimada pela ciência para cada hectare de floresta na Bacia Amazônica, que é de 565 árvores — número obtido de um amplo estudo realizado por mais de uma centena de cientistas e publicado na revista Science, em 2013.

Como os alertas do Deter são divulgados semana a semana, o contador inclui uma estimativa em tempo real de quantas árvores estão caindo até o presente momento.

Ela funciona da seguinte forma: todas as sextas-feiras, o Inpe atualiza seus dados referentes à semana anterior. Por exemplo, no próximo dia 16, a taxa divulgada será referente ao período que vai do dia 3 a 9 de setembro — e não entre os dias 10 e 16.

Com base nesse novo dado divulgado pelo Inpe — o mais recente disponível —, o contador também faz uma atualização de sua taxa semanalmente, às 12h de sexta-feira, incluindo a conversão de km² para o número de árvores. Como o número é referente à semana anterior, o índice é replicado para a semana do momento, seguindo assim a tendência e fazendo uma estimativa em tempo real.

Segundo o coordenador-geral do MapBiomas, Tasso Azevedo, o que o contador faz é transformar os dados de desmatamento do Inpe em números de árvores tombadas. “Tudo isso para representar de forma mais concreta o significado da derrubada da floresta. Em vez de falarmos em áreas, abordamos em números de árvores, o que dá um pouco mais de noção do tamanho do desastre”.

 Tudo isso para representar de forma mais concreta o significado da derrubada da floresta. Em vez de falarmos em áreas, abordamos em números de árvores, o que dá um pouco mais de noção do tamanho do desastre.

Tasso Azevedo, coordenador-geral do MapBiomas


Reportagem do InfoAmazonia para o projeto PlenaMata.

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