Veículo é o vencedor deste ano na categoria Meio Ambiente com a reportagem “Engolindo Fumaça”, que investigou a relação entre questões ambientais e de saúde pública em meio às queimadas na Floresta Amazônica.

O InfoAmazonia recebeu hoje, na cidade de Madri, o Prêmio Internacional de Jornalismo Rei da Espanha de 2022. A diretora editorial do InfoAmazonia, Juliana Mori, recebeu o troféu da categoria Meio Ambiente das mãos do rei da Espanha, Dom Felipe VI, pela reportagem “Engolindo Fumaça”, um projeto especial que investiga os efeitos da poluição do ar causada pelas queimadas sobre a saúde da população amazônica.

O Prêmio Rei de Espanha é concedido anualmente desde 1983 pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid) e pela Agência EFE, em reconhecimento  ao trabalho de profissionais de jornalismo de língua espanhola e portuguesa e de países com os quais a Espanha mantém laços de cooperação.

Em sua fala, Felipe VI destacou a importância do trabalho jornalístico dos vencedores do prêmio, classificando as narrativas como “histórias que fazem crescer as pessoas”.  “Celebramos hoje as excepcionalidades de seis trabalhos que se destacaram por suas investigações e por serem o relatos vivo da história: da luta meio ambiental, dos direitos sociais e de integração cultural, todos grandes desafios que afrontam a Iberoamerica e o mundo em geral”, disse dom Felipe VI. 

Celebramos hoje as excepcionalidades de seis trabalhos que se destacaram por suas investigações e por serem o relatos vivo da história

Dom Felipe VI, rei da Espanha
Engolindo Fumaça um dos vencedores do prêmio Rei de Espanha de Jornalismo 2022

Juliana compreende esta premiação “como uma oportunidade de dar visibilidade ao tema fora do âmbito nacional e também da conscientização sobre questões de saúde pública e crimes ambientais, que estão intimamente relacionados”.

“No Brasil, os últimos três anos foram muito ruins para o meio ambiente, com o aumento do desmatamento, dos incêndios. Tudo gera muita angústia, e as instituições que fazem o monitoramento têm cada vez menos recursos”, alerta Juliana. Apesar da conjuntura adversa, a diretora editorial observa este como um momento atuante para o jornalismo ambiental em todo o mundo devido a emergência da crise climática. “Existe a oportunidade de fazer boas reportagens, porque as pessoas estão interessadas nestes temas”.

“Uma oportunidade de dar visibilidade ao tema fora do âmbito nacional e também da conscientização sobre questões de saúde pública e crimes ambientais, que estão intimamente relacionados”


Juliana Mori, diretora editorial, InfoAmazonia

A representante da Agência EFE, Gabriela Cañas, vice-presidente do júri, ressaltou a qualidade dos trabalhos vitoriosos. “Os vencedores, com seus trabalhos, são os porta-vozes dos problemas dos mais desfavorecidos, ou raios-x da complexa diversidade da Ibero-América”.

Além da conquista do InfoAmazonia na categoria Meio Ambiente, foram agraciados ainda outros cinco vencedores:

Agência EFE
Foto das jornalistas e dos jornalistas premiados em Madri


Ao todo, o prêmio contou com 240 candidatos de 17 países inscritos nas seis categorias. Para além da relevância do tema e seu caráter social, o corpo de jurados do Prêmio Rei de Espanha valorizou em “Engolindo Fumaça” o seu caráter de “profunda pesquisa, apoiada em mapas e gráficos, realizada por uma equipe multidisciplinar de jornalistas, geógrafos e estatísticos em conjunto com especialistas de um laboratório vinculado a duas universidades brasileiras”. Classificando a publicação como “um exemplo de jornalismo e rigor científico”.

Um exemplo de jornalismo e rigor científico

Avaliação dos Jurados do Prêmio Rei de Espanha de Jornalismo 2022

Neste sentido, o editor e repórter do projeto, Geraldo Geraque, considera a vitória de “Engolindo Fumaça” como o coroamento  de “um trabalho de fôlego, que uniu muita reportagem, análise de dados e cientistas em uma mesma equipe, mostrando que o jornalismo com profundidade, em um momento em que as fake news e a superficialidade imperam, é muito relevante.” 

O diretor de tecnologia do InfoAmazoni, Stefano Wrobleski, manifestou a satisfação do InfoAmazonia em desenvolver projetos como “Engolindo Fumaça”. “É uma alegria sermos agraciados por um dos principais reconhecimentos do jornalismo. Mostra que estamos trilhando um caminho consistente para produzir cada vez mais conteúdos inovadores e de qualidade. Com este prêmio, temos certeza de que estamos conseguindo chamar atenção para questões socioambientais, tão críticas atualmente”.

estamos trilhando um caminho consistente para produzir cada vez mais conteúdos inovadores e de qualidade.

Stefano Wrobleski, diretor de tecnologia

Para Geraque, momentos como este reforçam a importância de trazer questões de pouca visibilidade para a sociedade brasileira.  “O prêmio é muito bom para jogar luz em um problema praticamente invisível, que é o impacto das queimadas sobre a vida das pessoas que moram e vivem na Amazônia, principalmente nas áreas sensíveis, perto do desmatamento e das queimadas”, comenta.

Publicada em agosto do ano passado, a produção da reportagem durou por nove meses e cobriu os estados de Rondônia, Mato Grosso, Acre e Amazonas. Quase metade desse tempo foi dedicada à análise de dados, etapa fundamental para comprovar em números e evidências científicas. Nesse contexto, geógrafos, estatísticos e cientistas de instituições brasileiras participaram do projeto, tendo que criar “um modelo estatístico” para realizar a pesquisa.

Participaram da reportagem especial do InfoAmazonia 23 pessoas, entre jornalistas, designers, cientistas e tradutor.

EQUIPE – Engolindo fumaça

Juliana Mori   – coordenação geral e mapas interativos

Renata Hirota – análise estatística

Eduardo Geraque –  edição e reportagem

Felipe Barros –  análise geoespacial

Camilo Estevam – reportagem em Rondônia

Sonaira Silva – consultora científica – LabGama/Ufac

Guilherme Guerreiro Neto – reportagem no Pará

Tatiane Moraes – consultora científica – Fiocruz

Juliana Arini- reportagem e fotografia em Mato Grosso

CAFÉ.ART.BR – Design de informação

Leandro Chaves – reportagem no Acre

Leandro Amorim – direção criativa – Café

Lucas Lobo – reportagem e fotografia no Amazonas

André Hanauer, Erlan de Almeida Carvalho – design – Café

Rebeca Navarro – reportagem no Amazonas

Erico Rosa, Guilherme Lobo, Robson  Klein – desenvolvimento – Café

Ramon Aquim – fotografia no Acre

Laiza Lopes – textos e planejamento redes sociais

Dell Pinheiro – fotografia no Acre

Laura Sanchez – design redes sociais

Tony Gross – tradução para inglês

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