Nos páramos dos Andes nascem muitos rios que alimentam o Amazonas e chegam ao Atlântico, como parte de um sistema continental que depois devolve essa água em forma de chuva. Milhões de pessoas dependem dessa água para consumo, irrigação e energia elétrica, mas os páramos enfrentam graves problemas que afetam sua capacidade de fornecimento. Por isso a ciência busca estratégias para entendê-los melhor e preservá-los. Poucos páramos ilustram esse paradoxo como o de Cumbal, no sul da Colômbia, que tem um projeto de venda de créditos de carbono que recompensa os habitantes por cuidarem do ecossistema e do serviço ambiental que ele presta. Contudo, as pessoas ainda não receberam o dinheiro prometido.
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Patrocinadora da COP30, Vale compra créditos de carbono de área na Amazônia acusada de irregularidades no manejo madeireiro
Mineradora apresenta projeto ABC Norte REDD como seu trunfo ambiental, mas Ibama flagrou problemas na extração de madeira dentro da área de compensação climática – o que embasou uma denúncia apresentada pelo MP contra a Madeireira J & Y. Território na Amazônia paraense também registra desmatamento, autorização para pesquisa mineral e conflitos fundiários com comunidades tradicionais.
O que é o mercado de carbono?
Instrumento foi criado para que governos e empresas possam compensar suas emissões de CO2
Como investigamos a sobreposição entre projetos de carbono e mineração na Amazônia
Análise exclusiva da InfoAmazonia revela que parte dos projetos de carbono florestal operam em áreas da Amazônia Legal onde há processos ativos de mineração — legal ou em fase de requerimento — criando um conflito direto de uso do solo.
Mais da metade dos créditos de carbono da Amazônia está ‘contaminada’ pela mineração
Pelo menos 40 milhões de toneladas de carbono foram vendidas para compensar emissões de grandes marcas, como Ifood, Uber e Google, mas análise exclusiva da InfoAmazonia mostra que o selo verde esconde falhas estruturais: os projetos que geraram esses créditos estão sobrepostos a áreas com concessões minerárias, comprometendo a compensação climática prometida.
MPF pede suspensão dos projetos de crédito de carbono em territórios tradicionais no Amazonas
Procuradores recomendam a interrupção de todos os projetos em comunidades tradicionais e indígenas no estado e na modalidade REDD+, que gera créditos pela manutenção da floresta em pé, independentemente de estarem em desenvolvimento ou ainda em fase de tratativa.
Caubóis do carbono: o jogo arriscado de Mister Greene no ‘vale-tudo’ da Amazônia brasileira
Dezoito negócios foram registrados em nome da Indigenous Carbon, uma nova empresa ligada ao empresário estadunidense Michael Greene, que já foi acusado de grilagem de terras públicas pela Defensoria do Pará.
As voltas que o capitalismo dá
Os indígenas protegem a floresta há milênios e nunca tiveram o trabalho valorizado financeiramente. Agora, com o mercado de carbono, são cooptados por empresas para fechar projetos que ferem os seus próprios direitos.
Edital para projetos de carbono do Amazonas concede unidades de conservação sobre terras indígenas, mas não consulta órgãos e comunidades
As áreas protegidas disponibilizadas pelo edital, atualmente na fase de divulgação das empresas escolhidas, estão sobrepostas às terras indígenas Acapuri de Cima, Uati-Paraná, Jaquiri e Porto Praia. Apesar disso, a consulta prévia às populações afetadas não foi realizada.
Grandes marcas compram créditos de carbono de esquema suspeito de esquentamento de madeira na Amazônia
Uma análise de dois projetos de créditos de carbono na Amazônia brasileira concluiu que eles podem estar ligados à lavagem de madeira ilegal. Os projetos pertencem a Ricardo Stoppe Jr., conhecido como o maior vendedor individual de créditos de carbono do Brasil, que faturou milhões de dólares negociando esses créditos com empresas como Gol, Nestlé, Toshiba, Spotify, Boeing e PwC.