A 1ª Conferência para a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis reuniu, de forma inédita, países dispostos a discutir como abandonar petróleo, gás e carvão e terminou com a sinalização de que não será um evento isolado, mas o início de um processo contínuo de transição. Brasil chegou à conferência como articulador do debate, mas saiu sob constrangimento após a publicação de sua proposta nacional de transição energética.
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Santa Marta pode marcar um ponto de virada na agenda climática
Coalizão de países com peso econômico global começa a desenhar o abandono dos combustíveis fósseis.
Fora do impasse das COPs, conferência em Santa Marta testa nova via para abandonar combustíveis fósseis
Encontro em cidade da Colômbia quer contribuir para mapa do caminho rumo ao fim do petróleo, gás e carvão, proposto durante a COP30, mas que deverá ser apresentado em novembro deste ano. Além disso, ministra do Meio Ambiente do país promete discutir ações sem as amarras do lobby da indústria petrolífera.
Conferência na Colômbia pode mobilizar um bloco econômico maior que os EUA contra os combustíveis fósseis
Se avançar, a iniciativa pode reconfigurar o mercado global de energia e pressionar investimentos a migrar para fontes limpas — deixando petroestados e suas reservas bilionárias encalhados.
Brasil quer liderar fim dos fósseis, mas patina para ter plano nacional próprio
Prazo para entrega de diretrizes do mapa do caminho nacional, definido por Lula em dezembro, não foi cumprido e o plano ainda é incógnita em meio a divergências de ministérios sobre a estratégia a ser adotada. Agência Internacional de Energia alerta sobre falta de um plano coerente com as metas assumidas pelo país.
As tensões que o petróleo deixou em uma área fundamental da Amazônia colombiana
Quase todo o bloco petrolífero de Ombú, operado pela Emerald Energy, está sobreposto à Área de Manejo Especial de La Macarena, uma zona criada para conservar a região que está entre os Andes, a Amazônia e a Orinoquía. O projeto, atualmente suspenso após protestos sociais, expõe as tensões da extração de hidrocarbonetos em áreas protegidas sem regulamentação clara.
Eneva tem autorização para perfurar único bloco de gás ativo em terra indígena na Amazônia Legal
Mais de 75% do território Krenyê, no Maranhão, está dentro de um bloco concedido para exploração fóssil que pode começar a ser perfurado em 2026. Vendida sob o argumento da transição energética, a expansão da produção do Complexo Termelétrico Parnaíba aposta na geração de energia e na transformação do Matopiba em corredor logístico de gás e grãos, impactando territórios quilombolas e áreas protegidas.
7 mil áreas protegidas estão ameaçadas por projetos de petróleo e gás em todo o mundo
A investigação Fueling Ecocide, liderada pelo Environmental Investigative Forum (EIF) e pela European Investigative Collaborations (EIC), revela que as licenças da indústria de petróleo e gás se sobrepõem a cerca de 7 mil áreas protegidas em todo o mundo. A área total de sobreposição chega a 690 mil km² — maior do que a França —, apesar das legislações existentes e dos esforços contínuos para proteger áreas-chave de biodiversidade.
Sem consenso global, Brasil busca mapa do caminho com cientistas e petroleiros para manter viva a proposta de fim dos fósseis
Entre avanços diplomáticos e contradições domésticas, Brasil tenta transformar em roteiro global a proposta de eliminar gradualmente petróleo, gás e carvão. Estudos que baseiam a proposta do mapa do caminho apresentado em Belém devem reunir agências internacionais, cientistas e representantes do setor petrolífero, enquanto o país mantém aberta a exploração de novas reservas na Amazônia.
Um em cada 25 credenciados na COP30 trabalha para a indústria petrolífera
O número de lobistas dessas áreas supera a delegação de quase todos os países presentes, exceto o Brasil.