Só 1% do orçamento foi destinado ao clima por candidatos a governador que buscam permanecer no poder na Amazônia

Em cinco estados da Amazônia Legal, candidatos à reeleição e políticos que assumiram o governo durante o atual mandato disputam a permanência no cargo. Apesar de todos citarem a agenda climática em seus planos de governo para 2026, juntos, os cinco governos empenharam apenas 1,3% do orçamento em despesas relacionadas ao tema desde 2023: R$ 6,4 bilhões, contra R$ 475 bilhões em gastos não relacionados ao clima.

Atlântico avança sobre a costa e muda a vida na foz do Amazonas

O nível do mar na desembocadura do rio com maior vazão em todo mundo cresceu 12,4 cm em três décadas, causando a erosão de territórios ribeirinhos e alterando a economia local, segundo uma análise inédita. As chuvas e as secas intensas na Amazônia alteram a interação entre a foz do rio e o Oceano Atlântico, provocando marés altas e a salinização da costa. As consequências dessas mudanças são observadas na disponibilidade das espécies mais pescadas no litoral amazônico. Também estão intimamente ligadas ao desmatamento no continente: até 2050, uma redução de 45% da floresta pode fazer com que a pluma do Amazonas chegue com menos força no Atlântico.

Quase 40% dos indígenas em territórios da Amazônia vivem sem acesso adequado à água

Análise exclusiva da InfoAmazonia mostra que 27% da população em terras indígenas depende principalmente de rios, lagos e igarapés para obter água, muitos deles contaminados. O acesso a outros serviços de saneamento também é precário: apenas 4,7% dos indígenas contam com esgotamento sanitário adequado e 6,9% têm destinação adequada do lixo na Amazônia Legal.

Na bacia do Alto Juruena, indígenas se adaptam à redução de mais da metade da superfície de água em seus territórios

Análise da InfoAmazonia aponta que as terras indígenas da bacia mato-grossense perderam 55% de sua área de corpos d’água até 2025 após avanço da agropecuária em toda a região. Na TI Tirecatinga, onde a redução chegou a 75%, indígenas resgataram alimentos tradicionais por meio da agricultura familiar e mapearam as principais mudanças no território, para cobrar políticas públicas e enfrentar a insegurança alimentar e hídrica.

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