Em Las Claritas, no coração da principal região de mineração da Venezuela, próximo à fronteira do Brasil e da Guiana, começaram a surgir fissuras na aliança entre o crime organizado, o poder político e as forças de segurança. Uma operação das Forças Armadas realizada no começo de junho nas minas ocupadas por grupos armados, seguida pela suposta morte do líder do Tren de Aragua conhecido como “Niño Guerrero”, anunciada por Donald Trump, revela uma tentativa de reorganização do poder numa região estratégica devido às suas vastas reservas de ouro e ao seu papel nas novas negociações entre Caracas e Washington.
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Minerais críticos são ‘uma nova fronteira de tensão’ para geopolítica, analisa internacionalista Glauber Carvalho
Professor e coordenador do curso de Relações Internacionais da UFRR, Glauber Cardoso Carvalho analisou a disputa por minerais críticos, a presença dos EUA na Venezuela e a atuação no Brasil em conflitos geopolíticos.
Migração venezuelana em Roraima desacelera em meio a ‘incertezas’ após invasão de Trump
Nos primeiros dias de 2026, a fronteira com o Brasil recebeu menos pessoas do que no mesmo período do ano passado. Organizações apontam que muitas pessoas seguem na Venezuela ‘tentando entender o que vai acontecer e quais vão ser os próximos passos’.
O comércio de minerais críticos: a rota ilegal que conecta a Amazônia à China
Foi tecida uma complexa rede de atores em torno dos minerais críticos da Amazônia. Alguns operam em corredores fluviais disputados, negociando com organizações guerrilheiras e forças da ordem corruptas. Outros, sob uma fachada de legalidade, movimentam grandes quantidades de material através de enormes cidades portuárias conectadas às rotas do comércio internacional, em uma série de operações que põem em risco o meio ambiente e a soberania dos países.
A oportunidade de Chorrobocón: a aposta nos minerais críticos
Nas florestas colombianas, onde o verde profundo da Amazônia se choca com a pobreza e a marginalização, prospera um negócio oculto e perigoso. Nos recantos remotos de Guainía, comunidades indígenas como os Puinave estão presas ao garimpo ilegal, uma atividade que lhes permite sobreviver, mas ameaça destruir a terra que habitam. Com o declínio do ouro, os minerais estratégicos surgem como uma promessa de futuro. No entanto, essa nova corrida por minérios, que promete ser menos poluente que a mineração de ouro, pode acarretar enormes riscos ambientais e sociais.
O preço do progresso: o lado sombrio dos minerais críticos na Amazônia
A partir de extenso trabalho de campo e da investigação das cadeias de fornecimento, rastreando minerais desde a extração até compradores internacionais, revelamos como a corrida global pelos insumos da transição energética intensifica disputas violentas na fronteira colombo-venezuelana, onde grupos armados controlam o território, praticam abusos sistemáticos e destroem um dos principais sumidouros de carbono do planeta.
Amazônia sob ataque: 67% dos municípios têm a presença de facções criminosas
Pelo menos 662 de um total de 987 municípios amazônicos em seis países (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela) enfrentam a presença de facções criminosas e grupos armados.
Tudo pelo ouro: migração e violência na fronteira Brasil-Colômbia-Venezuela
Ao longo do rio Negro, a artéria que liga a Colômbia, a Venezuela e o Brasil na Amazônia, inúmeros povos indígenas e várias comunidades ribeirinhas sobrevivem em meio ao garimpo e aos grupos armados, dois poderes de fato que dominam essa região com o peso de um metal nem um pouco nobre: o chumbo.
Dissidentes das Farc chegam ao extremo Leste da Venezuela e controlam região
Os habitantes de Santa Catalina, na Amazônia venezuelana, já foram dormir, mas pelo menos oito rajadas de tiros interrompem seu sono. Os novos colonos estão abrindo caminho em uma região selvagem que, de acordo com os antigos colonizadores, estava destinada a ser a província mais produtiva das Américas.
Davi Kopenawa: ‘Na fronteira da Venezuela com o Brasil, garimpeiros continuam trabalhando escondido’
Xamã do povo Yanomami fala sobre o impacto das operações de retirada dos garimpeiros do território, mas diz que ainda restam alguns invasores que ‘fogem e depois voltam’. Além disso, afirmou que Lula ‘não está amando a floresta’ com a tentativa de exploração de petróleo na Amazônia.