Mais de 3.000 agentes de polícia da Colômbia, Bolívia, Brasil, Equador e Peru participaram da Operação Green Shield 2026, uma operação em larga escala contra crimes ambientais na Amazônia. O objetivo foi combater redes criminosas envolvidas em mineração ilegal, extração ilegal de madeira, tráfico de fauna silvestre, contrabando de combustíveis, entre outros crimes conexos.
Forças policiais da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador e Peru realizaram uma grande operação internacional contra o crime ambiental na Amazônia. A Operação Green Shield 2026, como foi denominada, foi coordenada a partir de um centro de comando em Bogotá e organizada pelo governo dos Emirados Árabes Unidos, por meio da Iniciativa Internacional de Aplicação da Lei para o Clima (I2LEC).
As autoridades dos diferentes países realizaram operações sincronizadas em áreas fluviais remotas e de fronteira, enquanto monitoravam as missões em tempo real por meio de ferramentas de geolocalização. Também conduziram investigações posteriores para desarticular redes criminosas, em vez de apenas apreender bens ilícitos.
“Esta operação transformou a cooperação e o intercâmbio de inteligência em ações concretas contra a mineração ilegal, a apropriação ilegal de hidrocarbonetos [como petróleo e combustíveis], o desmatamento e outros crimes ambientais. A proteção dos nossos recursos naturais exige uma resposta compartilhada”, declarou o general William Oswaldo Rincón Zambrano, diretor-geral da Polícia Nacional da Colômbia, por meio de um comunicado.
A operação contou com mais de 3.600 agentes de polícia e resultou na prisão de 835 pessoas durante 1.045 ações. Além disso, foram apreendidos 280.450 metros cúbicos de madeira de origem ilegal, 195 toneladas de minerais e produtos relacionados a 800 ocorrências de pesca ilegal. Também foram apreendidos mais de 32.000 equipamentos utilizados em atividades de mineração ilegal.
Esta operação transformou a cooperação e o intercâmbio de inteligência em ações concretas contra a mineração ilegal, a apropriação ilegal de hidrocarbonetos [como petróleo e combustíveis], o desmatamento e outros crimes ambientais. A proteção dos nossos recursos naturais exige uma resposta compartilhada
general William Oswaldo Rincón Zambrano, diretor-geral da Polícia Nacional da Colômbia
A estratégia, no total, permitiu resgatar mais de 3.000 animais vivos e outros 430 mortos, relacionados ao tráfico de fauna silvestre. De fato, há alguns dias, durante a segunda fase da Operação Green Shield 2026, a Polícia Nacional da Colômbia realizou uma série de ações no departamento de Meta, na Amazônia colombiana, nas quais apreendeu fauna silvestre, madeira e produtos florestais não madeireiros, além de intervir em oito minas usadas para a extração ilegal de minérios.
“Com a Operação Green Shield II, reafirmamos nosso compromisso com a proteção dos recursos naturais de Meta. Os resultados obtidos refletem o trabalho permanente do nosso Grupo de Carabineiros e Proteção Ambiental para combater o tráfico ilegal de fauna e flora, assim como as atividades que degradam nossos ecossistemas. Convidamos todos os cidadãos a denunciar qualquer crime ambiental; proteger a biodiversidade é uma responsabilidade compartilhada e um compromisso com o futuro do nosso departamento e do país”, afirmou, na ocasião, o coronel Nelson Eduardo Zambrano Esguerra, comandante do Departamento de Polícia de Meta.
No total, o valor acumulado das apreensões em todos os países ultrapassa US$ 280 milhões. A coronel Dana Humaid, diretora-geral do Escritório de Assuntos Internacionais do Ministério do Interior dos Emirados Árabes Unidos, afirmou que a Operação Green Shield 2026 é resultado do trabalho conjunto entre os países, combinando inteligência, experiência em operações e o objetivo comum de desarticular redes criminosas.
Por sua vez, o general J. Manuel Cruz, diretor da Direção de Meio Ambiente da Polícia Nacional do Peru, ressaltou que crimes como a mineração ilegal, o tráfico de fauna silvestre e o contrabando de combustíveis, entre outros, “não respeitam fronteiras; por isso, exigem uma resposta internacional coordenada”.
Operações desse tipo já haviam sido realizadas em anos anteriores. A Green Shield 2026 faz parte de uma série de operações policiais mundiais da I2LEC, liderada pelos Emirados Árabes Unidos em colaboração com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). O objetivo é fortalecer as forças de segurança diante dos crimes ambientais e dos riscos à segurança associados às mudanças climáticas.
*Imagem de abertura: Dragas usadas no garimpo ilegal de ouro no rio Purué, na Amazônia brasileira. Foto: Jaap van ‘t Kruis/InfoAmazonia.
Esta reportagem é publicada por meio de uma parceria entre El Espectador e InfoAmazonia, com apoio da Amazon Conservation Team.