Corpo de jovem do povo Wapichana, que tinha 28 anos, foi localizado por familiares nesta terça-feira (10), próximo a RR-203, após desaparecimento desde 31 de janeiro. Polícia trabalha com linha de investigação de latrocínio.
O jovem líder indígena do povo Wapichana, Gabriel Ferreira Rodrigues, de 28 anos, foi encontrado morto nesta terça-feira (10) após 10 dias desaparecido. O corpo foi localizado por familiares próximo a RR-203, no município de Amajari (RR), mesma região em que desapareceu. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Conselho Indígena de Roraima (CIR) cobram uma investigação do caso.
Em nota, a Polícia Civil informou que investiga a linha de latrocínio, pois informações iniciais indicam que o celular da vítima teria sido levado para a Guiana, país vizinho de Roraima. No entanto, o CIR rebateu a afirmação e disse que o celular foi encontrado nesta quarta-feira (11) por lideranças indígenas na comunidade Novo Paraíso na Terra Indígena(TI) Araçá, região do Amajari, onde ele morava, assim como a moto e outros pertences pessoais.
Gabriel era coordenador regional da juventude de Amajari e atuava na luta por direitos territoriais, educação e saúde indígena. O jovem foi visto pela última vez em 31 de janeiro, a 37 quilômetros do local em que morava, na comunidade Juracy, na TI Ponta da Serra, onde ocorria um festejo.
“A atribuição prematura de hipóteses investigativas como se fossem conclusões definitivas pode comprometer a adequada apuração dos fatos e gerar interpretações equivocadas, razão pela qual o Conselho [CIR] defende que somente informações oficialmente confirmadas pelas autoridades responsáveis ou pela Coordenação Regional de Amajari sejam consideradas”, criticou a organização indígena.
Familiares registraram um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento dele em 3 de fevereiro. Desde então, o movimento indígena e familiares realizavam buscas por Gabriel.
Além disso, o Núcleo de Investigação de Pessoas Desaparecidas (NIPD) da Polícia Civil atuava no caso e chegou a procurá-lo em Boa Vista, capital de Roraima. “A Polícia Civil de Roraima informa que as investigações seguem em ritmo acelerado, com frentes de atuação em âmbito nacional e internacional”, disse.
O corpo foi encontrado pelos próprios familiares e moradores da comunidade Juracy em avançado estado de decomposição a 26 quilômetros da RR-203. A família reconheceu o corpo, mas a confirmação oficial da identidade dependerá dos exames periciais no Instituto de Medicina Legal.
Em nota, o CIR se solidarizou com familiares do jovem e cobrou justiça pelo caso. “A morte de uma liderança indígena não pode ser tratada com silêncio, negligência ou indiferença. Não aceitaremos a naturalização da violência contra os povos indígenas. Seguiremos firmes na defesa da verdade, da justiça e da memória de Gabriel”, disse a organização.
Gabriel atuou como comunicador da Rede Wakywaa de comunicadores indígenas e foi secretário regional das lideranças de Amajari. A Funai destacou que o jovem tinha “forte atuação no movimento indígena de Roraima, especialmente, da juventude” e atuava nas mobilizações ligadas aos direitos dos povos originários. O órgão acompanha o caso e também cobrou investigação.
“A autarquia indigenista, por meio da Coordenação Regional em Roraima, acompanhava o desaparecimento da liderança, e notificou as autoridades de segurança pública, responsáveis pelas ações de busca e investigação. Da mesma forma, seguirá prestando apoio institucional e reforça que é de extrema urgência a atuação dos órgãos de segurança para elucidação do caso e a responsabilização dos possíveis envolvidos pela morte de Gabriel Ferreira.”
A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e Conselho Indigenista Missionário (Cimi) também manifestaram pesar pela morte do jovem.
Imagem de abertura: Gabriel Ferreira Rodrigues, de 28 anos, do povo Wapichana. Foto: CIR/Divulgação