No chamado Nortão do estado, operação “Malha Verde” encontra rede que fraudava documentos para facilitar a venda de madeira extraída ilegalmente.

Com apoio da Polícia Civil de Mato Grosso, o Ibama desarticulou este mês um esquema criminoso de comercialização de créditos e guias florestais que funcionava no chamado Nortão de Mato Grosso. A região tem altos índices de desmatamento e está inserida no chamado arco do desmatamento, contorno de maior pressão sobre a Amazônia Legal, cujos limites se estendem do sudeste do estado do Maranhão, ao norte do Tocantins, sul do Pará, norte de Mato Grosso, Rondônia, sul do Amazonas e sudeste do estado do Acre.

De acordo com a assessoria de comunicação do Ibama, a ação integra mais uma etapa da Operação Malha Verde, que visa identificar e combater ilícitos ambientais a partir de movimentações irregulares do Documento de Origem Florestal (DOF). O DOF foi instituído pela Portaria n° 253 de 18 de agosto de 2006 do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Trata-se da licença obrigatória para o controle do transporte de produtos e subprodutos florestais de origem nativa. Seja qual for o meio de transporte da madeira, em tora, lenha, carvão vegetal ou serrada nas suas mais diversas formas, o documento deve obrigatoriamente acompanhar a carga, contendo informações como origem e destino, espécie, ano de emissão e nome científico das espécies de madeira transportadas.

A prática de manipular o DOF é uma tentativa de “esquentar” madeira extraída ilegalmente. Segundo a investigação, a fraude começou em 2011 e permitiu que fossem colocados no mercado mais de 60 mil metros cúbicos de madeira de origem ilegal, o equivalente a 1.800 caminhões carregados de madeira nativa. A organização criminosa funcionava em um escritório instalado no município de Alta Floresta, a 800 km de Cuiabá, sede jurídica de duas empresas de fachada dedicadas à comercialização e exploração de madeira.

Uma pessoa foi presa em flagrante quando finalizava a impressão de três guias florestais falsas que seriam utilizadas para esquentar um carregamento de madeira serrada procedente do município de Nova Monte Verde. A carga teria como destino três municípios paulistas. Os agentes apreenderam computadores, aproximadamente R$ 10 mil em dinheiro, talões de cheque e documentos que confirmam o funcionamento do esquema.

Transporte da madeira serrada ou bruta deve ser feito com o documento emitido no site do Ibama. Foto: Fabio Pellegrini

Entre os investigados estão o prefeito de Alta Floresta, Asiel Bezerra de Araújo, e integrantes da diretoria do Sindicato dos Madeireiros do Extremo Norte de Mato Grosso (Simenorte).

Com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), foram apreendidos ainda três caminhões com carregamentos de madeira serrada de origem ilegal, totalizando 83,3 metros cúbicos. Os veículos foram interceptados na BR-163 e estavam com guias florestais falsas. O Ibama informou ainda que outros carregamentos também estão sendo rastreados.

A operação bloqueou 24 empreendimentos diretamente envolvidos nas atividades ilegais. A medida impediu a comercialização de mais de 100 mil metros cúbicos de madeira que, possivelmente, seriam utilizados no esquema criminoso, o que equivale a aproximadamente três mil caminhões carregados de madeira.

Uma placa de identificação de uma madeireira envolvida foi encontrada fixada em uma residência e outra em um lava-jato. A maior parte das transações entre os envolvidos ocorria pela internet. Os investigados são acusados de crimes ambientais, formação de organização criminosa e falsidade ideológica.

O superintendente do Ibama no Mato Grosso, Marcus Keynes, disse que o Núcleo de Inteligência do Ibama está trabalhando intensamente para desarticular e interromper esses esquemas ilegais no setor madeireiro, “que causam muitos prejuízos, tanto econômicos quanto ambientais, para o estado e para a sociedade”. “Essa concorrência desleal prejudica também os esforços para que o setor madeireiro trabalhe de forma sustentável”.

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A ação impediu a comercialização do equivalente três mil caminhões carregados de madeira. Foto: arquivo Fabio Pellegrini

– Esta matéria foi originalmente publicada no OEco e é republicada através de um acordo para compartilhar conteúdo.

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