O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) anunciou que o monitoramento hidrológico na bacia do rio Solimões confirmou uma enchente recorde com inundações e danos econômicos graves às populações ribeirinhas no Amazonas.

É a segunda vez que Anamã fica submersa desde 2012. (Foto: CPRM)É a segunda vez que Anamã fica submersa desde 2012. (Foto: CPRM)

O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) anunciou nesta sexta-feira (19) que o monitoramento hidrológico na bacia do rio Solimões, realizado nas últimas 72 horas, confirmou uma enchente recorde com inundações e danos econômicos graves às populações ribeirinhas dos municípios de Fonte Boa, Tefé, Manacapuru e Anamã, no Amazonas.

Nestas localidades, segundo o superintendente Marco Antônio Oliveira, o nível do rio Solimões bateu marcas históricas registradas nos últimos 40 anos do monitoramento da subida das águas, superando as cheias dos anos de 1999 e de 2012, na Amazônia Ocidental.

Oliveira disse que a situação mais greve é do município de Anamã (distante 165 quilômetros de Manaus), que tem cerca de 10.200 habitantes, sendo mais de 8 mil afetados pela cheia. A prefeitura decretou estado de calamidade pública.

“É mais uma cheia grandiosa em que o rio Solimões bateu recordes. Observamos que, praticamente, todas as comunidades e as plantações das várzeas estão debaixo d´água. Há muitas comunidades abandonadas. Os danos são grandes por que as águas altas vão demorar a descer para a cota (nível) de emergência”, disse Marco Oliveira, que acompanhou o monitoramento hidrológico em Anamã na terça-feira (16).

O superintendente do CPRM fez um alerta à Defesa Civil do Amazonas. “É preciso dar um apoio às comunidades por que é um período de entressafra econômica. O ribeirinho não tem terra para plantar, o pescado fica mais difícil. Ele está passando por necessidade de subsistência”, afirmou Marco Oliveira.

Segundo a Gerência de Monitoramento Hidrológico do CPRM, o nível do Solimões em Fonte Boa chegou a 22,80 metros, superando a marca de 22,24 m (em 1999). Em Manacapuru marcou 20,70 m contra 20,68 (2012). Em Itapeuá (próximo de Coari) 17,92 m contra 17, 65 (em 2012). Esses dados ainda serão alterados uma vez que os técnicos continuam realizando a coleta de informações em seis estações hidrológicas. O nível marcado em Anamã ainda não foi informado.

As cheias são fenômenos naturais dos rios. Na Amazônia ocorrem entre os meses de dezembro a julho. Em Manaus, o nível rio Negro está com 29,60 metros, índice considerado estável e indicando final da cheia. Em 2012, o rio Negro bateu recorde histórico em cem anos do monitoramento com 29,97 metros. “O final da cheia significa que a água já transbordou para várzea”, disse o superintendente do CPRM, Marco Oliveira.

Segundo a Defesa Civil, dos 62 municípos do Amazonas, 52 estão enfrentandos danos sociais e econômicos em consequência das enchentes. O órgão decretou a calamidade pública em Boca do Acre (no rio Purus) e Anamã (baixo Solimões). Outros 46 municípios estão sob estado de emergência e quatro em situação de alerta. Um total de 460.191 pessoas foram atingidas por inundações causadas pelos transbordamentos dos rios. Recursos na ordem de R$ 3,6 milhões foram enviados aos municipios para a ajuda humanitária. A Campanha Governo Solidário doou 44 toneladas em gêneros alimentícios e de higiene pessoal, diz nota da Defesa Civil.

– Esta matéria foi originalmente publicada no Amazônia Real e é republicada através de um acordo para compartilhar conteúdo.

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