: Polícia Federal desmonta quadrilha de desmatadores comandada de São Paulo

Polícia Federal desmonta quadrilha de desmatadores comandada de São Paulo

Wed, 06 de July de 2016

Operação revela sofisticação do grupo que pratica desmatamento e grilagem para pecuária e soja no sudoeste do Pará. Principal suspeito é pecuarista de SP.

Menos de uma semana após o assassinato do policial João Luiz de Maria Pereira, morto durante operação de combate ao desmatamento e garimpo do IBAMA na Floresta Nacional do Jamanxim (PA), a Polícia Federal desarticulou nesta quinta-feira (30), quadrilha que atuava com grilagem de terra e desmatamento na região de Castelo dos Sonhos e Novo Progresso, no sudoeste do Pará. Segundo informou a Polícia Federal, a organização criminosa se dividia em várias camadas e tinha como objetivo atividades como criação de gado e cultivos de soja e arroz. O segundo passo da operação é chegar nas empresas por trás das atividades agropecuárias nas fazendas ilegais.

mapa-novo-progresso-castelo-sonhosO principal investigado é Antonio José Junqueira Vilela Filho, pecuarista de São Paulo, considerado foragido. Ele comandaria uma quadrilha, com tarefas divididas de maneira tão sofisticada, que parece uma grande empresa. Junqueira é dono da Sociedade Comercial AJJ LTDA, uma empresa sediada na cidade de São Paulo, na região dos Jardins, cuja atividade é a criação de bovinos para corte.

No seu site, a PF disse que o grupo desmatou, entre os anos de 2012 e 2014, mais de 29 mil hectares de floresta, a maior parte a leste da rodovia BR-163, uma área semelhante a de Belo Horizonte ou a do Parque Nacional de Itatiaia. A multa do IBAMA neste caso chega a R$ 119 milhões. No total, a quadrilha movimentou mais de R$ 1 bilhão entre os anos de 2012 e 2015. Ela é acusada dos crimes de organização criminosa, desmatamento ilegal, grilagem de terras públicas federais e falsificação de documentos.

A região já foi alvo de operação semelhante em 2014, quando foi desmantelada a quadrilha comandada por Ezequiel Castanha, que atuava em Altamira e Novo Progresso, área que concentrou 10% de todo o desmatamento da Amazônia entre os anos de 2012 e 2014, segundo o Ministério Público Federal do Pará. O grupo de Castanha invadia terras públicas para criar fazendas ilegais que chegavam a ser vendidas ilegalmente por até R$20 milhões. Castanha cumpriu tempo de prisão, mas agora foi posto em liberdade e circula em Novo Progresso usando tornozeleira eletrônica.

A operação se chama Rios Voadores, em referência às correntes de ar que carregam umidade da Amazônia e formam parte das chuvas nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.

Além de 95 policiais federais, inclui o Ministério Público Federal, Receita Federal e o próprio IBAMA, para cumprir 51 medidas judiciais, 24 prisões preventivas, 9 conduções coercitivas e 19 mandatos de busca e apreensão em Castelo dos Sonhos, distrito de Altamira (PA), Novo Progresso (PA), além de ramificações nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Crime Organizado

O desmate e a grilagem — fraudes para obter títulos ilegais de terra — começam com a escolha da área e a contratação, através de pessoas apelidadas de “Gatos”, da mão-de-obra que abre a mata com motosserras, tratores e correntões. A quadrilha vende a madeira nobre que consegue extrair, queima o que sobrou e joga sementes de capim para iniciar um pasto. A terra é dividida em áreas menores, entregues a “laranjas”, que atuarão como se fossem os posseiros. Isso facilita o processo de legalização das áreas, junto ao INCRA, e dissimula a organização por trás da ação.

infografico-organizacao

 

O gado colocado na propriedade pode vir de um arrendatário, que impede outras ocupações da área e a regeneração da mata, além de reforçar a impressão de ausência de uma organização criminosa por trás de toda a ação. Na realidade, trata-se de uma operação complexa envolvendo financiadores e compradores ilegais, que, por trás dos “laranjas”, se tornam os donos de fato dessas áreas desmatadas.

Ao descrever a quadrilha, a PF a dividiu em quatro núcleos: (1) Operacional, inclui os “Gatos” que comandam o desmatamento, gerentes que administram a fazenda, técnicos que delimitam a área e fraudam o Cadastro Ambiental Rural, e os “laranjas” que assumem a posse da terra; (2) Financeiro custeava a operação de desmatamento; (3) Familiar promovia a lavagem de dinheiro através de negócios com fachada legalizada; (4) Compradores Ilegais, pecuaristas que adquirem a terra da quadrilha e se escondem atrás dos “laranjas”. (veja o infográfico)

– Esta matéria foi originalmente publicada no OEco e é republicada através de um acordo para compartilhar conteúdo.

×

Encontre a localização

Encontrar

Resultados:

Latitude:
Longitude:

Zoom:

Finalizar geocodificação

×

Envie um artigo

Você tem alguma notícia para compartilhar sobre a Amazônia? Contribua para este mapa enviando uma reportagem. Ajude a ampliar o entendimento do impacto global desta importante região.

Encontre localização no mapa

Encontre localização no mapa