Veja o que avança — e o que trava — nas negociações da última semana da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas
Sexta-feira, 21 de novembro | 10h, horário de Belém
Novos textos preliminares. Os participantes da COP30 acordaram com uma nova proposta de textos preliminares por parte da Presidência do Brasil que, em uma análise rápida e considerando o que foi observado por especialistas, está muito distante dos resultados esperados para esta conferência.
- Financiamento: aparece totalmente suavizado em todo o Artigo 9º do Acordo de Paris e não aprofunda a responsabilidade dos países desenvolvidos de mobilizar recursos públicos para os países em desenvolvimento.
- Adaptação: a linguagem sobre triplicar os fluxos de financiamento exclusivos para adaptação é muito fraca — em ano de referência, compromisso de recursos públicos e responsabilidade de implementação — e não está alinhada com o que foi pedido pelos países em desenvolvimento e por especialistas da sociedade civil.
- Combustíveis fósseis: não há menção ao tão aguardado roteiro para promover uma transição que deixe para trás os combustíveis fósseis.
Quinta-feira, 20 de novembro | 19h30, horário de Belém
Um incêndio pausou temporariamente a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). Às 14h, no horário local, começou o fogo em um dos pavilhões da Zona Azul — onde ocorre a agenda oficial de negociações e as atividades paralelas de organizações, países e instituições. Segundo o comunicado emitido conjuntamente pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês) e pela Presidência da COP30, as chamas foram controladas em seis minutos e 13 pessoas precisaram de atendimento médico por terem sido expostas à fumaça de plástico queimado.

Ainda não se conhecem as causas exatas do incêndio, mas, segundo relatos de participantes do principal pavilhão afetado, o fogo começou na parte traseira da estrutura, onde ficam as conexões eletrônicas. Havia vários dispositivos conectados, alguns com possível sobrecarga, e a área costuma permanecer quente por ser um espaço sem ar-condicionado.
Todos os participantes tiveram de sair do local. A expectativa é que, a partir das 20h, no horário de Belém, a organização traga mais informações sobre a continuidade das atividades. A prioridade seria retomar ainda nesta noite as reuniões de negociação entre a Presidência e os grupos de países. Até o momento, não há novas versões de textos preliminares.
Quinta-feira, 20 de novembro | 13h, horário de Belém
No âmbito político. Antes de embarcar para a África do Sul, onde participará da reunião anual do G20, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, concedeu uma coletiva presencial em Belém e advertiu que “nenhuma delegação (de país) sairá de Belém com tudo o que deseja”.
Sobre os temas de negociação que ainda estão sendo discutidos politicamente a portas fechadas, Guterres afirmou que triplicar o financiamento para adaptação até 2030 é essencial, que as emissões precisam cair drasticamente e mais rápido, que uma transição justa deve estar alinhada ao limite de aquecimento de 1,5°C e que é necessário iniciar uma transição que deixe os combustíveis fósseis para trás.

Além disso, destacou que nada disso pode ser feito sem financiamento e que, por isso, é necessária uma via crível para alcançar a meta de financiamento decidida em Baku, a famosa NCQG.
No âmbito técnico. Ainda não há novidades sobre uma nova versão dos textos preliminares do primeiro pacote de Belém. As discussões seguem acontecendo a portas fechadas, entre os atores mais políticos das delegações e — algo muito criticado nos corredores por delegados e observadores — com prioridade dada a alguns países ou grupos de países.
Imagem de abertura: Delegados acompanham as negociações ao longo do dia. Foto: Kiara Worth/UN Climate Change