Pandemias na Amazônia é um mapeamento colaborativo das narrativas e relatos sobre os modos de pensamentos e as estratégias dos povos indígenas e comunidades tradicionais em torno das crises epidêmicas e ambientais na Amazônia.

O projeto desenvolvido pelo NEAI/UFAM (Núcleo de Estudos da Amazônia Indígena) com o InfoAmazonia permite às comunidades e/ou seus mediadores inserir em uma plataforma digital conteúdo de texto, áudio e vídeo. São reflexões sobre a situação em que vivem e sobre suas estratégias de manutenção da saúde de seus corpos e da habitabilidade de seus territórios.

O projeto nasce da iniciativa de antropólogos/as, pesquisadores/as indígenas do NEAI que iniciaram a escrita de uma coleção de textos e de relatos em áudio sobre a pandemia da COVID-19.

O mapeamento expande essa ação para visibilizar as perspectivas culturais de outros povos, ofertando ao mundo outras formas de entendimento sobre as pandemias e diversas formas de cuidado e cura promovidas pelos povos das florestas e das águas na Amazônia.

Leia aqui todos os relatos de Pandemias na Amazônia

Entendemos a pandemia como um fenômeno socioambiental mais amplo que agrega aspectos políticos, socioeconômicos, biológicos e culturais. As dinâmicas comerciais globais e a circulação de pessoas não apenas transportam cifras, mercadorias, sujeitos e ideias, mas também material genético, microorganismos, tais como bactérias, fungos e vírus.

Isso torna impossível dissociar aspectos biológicos e socioculturais das epidemias e das crises ambientais que afetam a Amazônia e seus povos. Dinâmicas que vêm se tornando preocupantes com a emergência climática e com o desmatamento da floresta.

É nesse sentido que gostaríamos de ampliar a ideia de pandemia, entendendo-a como toda forma de contaminação que interfere e impacta os corpos e as vidas dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, cuja Covid-19 é mais uma de suas graves manifestações.

Outras pandemias, como as invasões dos territórios tradicionalmente ocupados por grileiros, desmatadores e garimpeiros, contaminação por mercúrio, depredações de terreiros, imposições religiosas, políticas racistas e anti-indígenas e os efeitos das mudanças climáticas alastram-se como verdadeiras chagas de grandes proporções ao produzirem severas consequências sobre os territórios-corpos e os territórios-terras dos diversos povos que habitam as florestas e as cidades da Amazônia.

Coordenação
Coordenação
Luiza Dias Flores
Thiago Mota Cardoso
Jonilda Tariano
Gustavo Faleiros
Gilton Mendes dos Santos

Edição
Guilherme Soares
Gustavo Faleiros
Juliana Mori

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