Uma ferramenta criada por geógrafo do King’s College, de Londres, indica que, mantidos os atuais índices de degradação, a maior floresta tropical do planeta durará apenas 245 anos.

A pedido do InfoAmazonia, o geógrafo britânico Mark Mulligan, do King’s College, de Londres, desenvolveu um mapa da Amazônia baseado em índices históricos de degradação e na ineficiência da fiscalização em áreas protegidas. Para tanto, ele utilizou a ferramenta Co$ting Nature, da qual é um dos criadores. O resultado é preocupante: caso o desmatamento não seja interrompido, a floresta vai desaparecer em pouco mais de dois séculos.

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Como se não bastasse, há outra grave constatação: bem antes de seu fim, a Amazônia pode deixar de prestar os serviços ambientais que ajudam a manter a vida no planeta, tais como o sequestro e o armazenamento do carbono (atuantes na regulaçao do clima), a oferta de água, o controle da erosão entre outros relacionados à biodiversidade.

Serviços ecossistêmicos e degradação
Em termos gerais, entende-se por serviços ecossistêmicos (também chamados de serviços ambientais) os benefícios que as populações humanas obtêm da natureza direta ou indiretamente, por meio dos ecossistemas, a fim de sustentar a vida no planeta. A Amazônia, justamente por ser a maior floresta tropical do planeta em extensão contínua, presta incontáveis serviços ecossistêmicos. Para ficar em um único exemplo, seu papel é determinante para a condição climática de todo o continente: o “oceano verde” da floresta tropical capta a umidade do oceano Atlântico, que é bombeada para o interior da América do Sul.

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Um dos diferenciais do tipo de avaliação realizado por Co$ting Nature é o de não se limitar às extensões desmatadas. Isso porque é comum, ao se falar em ameaças ao meio ambiente na Amazônia, encontrar análises centradas apenas na perspectiva das áreas desmatadas, ignorando os vários níveis de degradação florestal. Hoje já existem pesquisadores debruçados sobre o chamado gradiente florestal, que engloba os muitos cenários desse tipo de bioma: desde as intocadas florestas primárias, passando pelas áreas degradadas (por incêndios rasos ou exploração madeireira) e pelas matas secundárias (ou em regeneração), até chegar às porções com cultivos agrícolas.

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