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Florencia, a capital de Caquetá, cidade com 200 mil habitantes na região em que a Amazônia encontra as montanhas andinas

O departamento de Caquetá, na Amazônia Colombiana, passa por enormes mudanças. Sua parte ocidental, região onde a floresta amazônica avança sobre as encostas das montanhas andinas, se tornou o principal foco de desmatamento da Colômbia na última década. De acordo com o sistema de alertas de desmatamento Terra-i, Caquetá é o local com a maior taxa de derrubadas em toda a Amazônia andina.

No mapa abaixo as áreas desflorestadas desde 2004 (sistema Terra-i)

A razão para o avanço sobre a vegetação, conhecida por formar o ecossistema piedemonte na Colômbia, é a prosperidade econômica de Caquetá. Entre a década de 1990 e o início dos anos 2000, o departamento era conhecido pelos conflitos entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e o Exército Nacional. Porém, com os avanços nos processos de paz, a capital Florencia e municípios como, por exemplo, San Vicente del Caguán (onde as FARC chegaram a criar uma zona autônoma), se tornaram polos de um desenvolvimento econômico impulsionado pela chegada de empresas de petróleo e mineração, além do forte crescimento da pecuária

As mudanças relacionadas ao desenvolvimento e seu impacto sobre o meio ambiente em Caquetá foram temas de uma jornada de treinamento a jornalistas-cidadãos na cidade de Florencia, capital do departamento. O encontro, ocorrido na primeira quinzena do mês de outubro, reuniu o time do InfoAmazonia, convidado pela Fundação Avina e a organização colombiana de jornalismo independente Las2Orillas.

O evento contou com a participação de 35 representantes de organizações civis, religiosas, universidades, governos regionais e municipais, e da mídia local.

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Reunidos em Florencia, 35 participantes de meios de comunicação local, organizações da sociedade civil e universidades.

O objetivo do treinamento foi trabalhar em conjunto as ferramentas de jornalismo digital para que os cidadão possam informar, opinar ou denunciar fatos do lugar onde moram por meio do site do Las2Orillas e pelos mapas e informações contidas na plataforma InfoAmazonia.

A ideia foi formar correspondentes-cidadãos que possam influir nas tomadas de decisão no país. O site de Las 2Orillas está entre os 10 veículos de comunicação mais acessados na Colômbia.

Natália Orozco, do Las2Orillas, dirigiu a treinamento e explicou a importância de um espaço de comunicação distinto dos grandes meios e próprio aos cidadãos.

Gustavo Faleiros, do InfoAmazonia, apresentou a iniciativa dando destaque aos dados e notícias agregadas, onde pessoas, grupos e organizações possam mostrar informações e dados relevantes de uma forma clara e precisa.

Os participantes realizaram uma prática jornalística de pesquisa e criação de notícias ambientais focadas na região em que moram, e logo aprenderam a usar a ferramenta “Nota Cidadã” no site de Las2Orillas, por meio do qual podem publicar seus textos e fotografias.

Como resultado do treinamento, algumas notas foram publicadas e podem ser lidas (em espanhol) nos links:

1. Caquetá desierto de información, paraíso de extracción
2. Entre el amor y el odio, Caquetá y Petróleo.
3. Caquetá frente al reto de concertar un POT
4. Caquetá ríos de petróleo, sed y desesperanza
5. Territorio y resistencia Inga en el Caquetá.
6. En Caquetá una vereda se convierte en guardería de fauna
7. Mercedes, la profesora de la resistencia ambiental

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Voz para a Colômbia esquecida
O Las2Orillas é um time de jornalistas que quer mostrar ao mundo a Colômbia que está esquecida, que não é vista, a outra margem (orilla, em espanhol). Através de relatos, pesquisas e análises, a iniciativa quer dar um espaço a vozes em zonas que foram estigmatizadas e deixadas de lado após 60 anos de conflito.

O projeto, que recebe doações e apoio de ONGs e outras organizações com vocação social, aposta em um jornalismo independente, digital, regional e cidadão, com o propósito de fortalecer a democracia.

A aliança com o InfoAmazônia ocorre dentro do marco Cidadão de nosso projeto, diretriz lançada este ano por nosso time em parceria com a Avina e que busca aliados na sociedade civil para compartilhar informação com foco hiperlocal. Ou seja, dados de danos ambientais, conservação, desenvolvimento, clima, entre outros que possuam escala de uma cidade, vila ou comunidade e que possam ser confrontados com avaliações de âmbito nacional.