Experiências de gestão territorial na Panamazônia e Chaco foram apresentadas em encontro na Bolívia. A sociedade civil pode influenciar políticas públicas e exigir sustentabilidade, dizem especialistas.

Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, foi a sede do Encontro Internacional “Rumo a uma Gestão Territorial Sustentável: Conceitos, Experiências e Visões da Panamazônia”, com a participação de mais de 100 líderes da Panamazônia, nos dias 16, 17 e 18 deste mês.

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O evento se converteu em um espaço de diálogo e intercâmbio de experiências entre os assistentes, promovendo novas articulações para o desenvolvimento sustentável na região. De acordo com uma nota dos organizadores, um dos objetivos foi contribuir na construção de visões de futuro para a gestão territorial na Panamazônia, e o fomento de coordenação e interação entre as partes interessadas desde diferentes áreas e biomas.

Desta forma, participaram mais de 100 representantes de governos locais e regionais da Panamazônia e Chaco, da sociedade civil, empresas e universidades, associações, grupos indígenas e organizações. Os presentes apresentaram suas experiências no processo de gestão territorial desde suas próprias visões e formas, comentou Karina Pinasco, da organização Amazônicos pela Amazônia (AMPA) do Peru, que promoveu o encontro.

Segundo ela, nas experiências mostradas durante o evento, buscou-se “trabalhar na gestão de nosso território de maneira sustentável (…) e mostrar que não são experiências isoladas, e sim intimamente articuladas”, promovendo o planejamento ordenado de cada região com objetivos sustentáveis frente as ameaças.

Assista a entrevista com Karina Pinasco:

Por sua vez, César Monje, da Fundação Avina, explicou a forma em que processos realizados pela sociedade civil podem influenciar as políticas públicas de suas regiões. Ele mostrou o caso do município colombiano de Belén de los Andaquíes, departamento de Caquetá, onde processos comunitários com organizações de base “conseguiram conservar a água, criando e declarando áreas de conservação municipais que cobrem mais da metade do município”, declarou César.

Veja o vídeo:

Outra das experiências apresentadas foi da ONG Herencia, que trabalha no norte amazônico da Bolívia. Juan Fernando Reyes, diretor da organização, conta que eles trabalham no reconhecimento dos serviços ecossistêmicos prestados pela floresta à comunidade, com uma forte ênfase na parte produtiva, através de produtos florestais, frutas e peixes.

Entrevista com Juan Fernando Reyes:

Para Sérgio Guimarães, secretário executivo da Articulação Regional Amazônica (ARA), é importante não se atentar somente às experiências locais, mas também lembrar que as dinâmicas macroeconômicas que estão acontecendo hoje em dia na Pamazonazônia podem, a qualquer momento, levar e produzir maiores mudanças na região.

Veja a entrevista:

A organização Amazônicos pela Amazônia, criou um mapa que apresenta uma série de quase 80 experiências de gestão territorial na Panamazônia e no Chaco. Clique aqui para conferir.

O encontro foi uma iniciativa da Fundação Avina, Skoll Foundation e Amazônicos pela Amazônia, com o apoio da Articulação Regional Amazônica e do InfoAmazonia.