: Floresta Nacional do Jamanxim: Policial morreu durante operação do Ibama

Floresta Nacional do Jamanxim: Policial morreu durante operação do Ibama

Mon, 11 de July de 2016

Agente foi baleado no pescoço após equipe sofrer emboscada. Operação combatia desmatamento ilegal na área protegida. Polícia Federal investiga o caso.

Madeireiros que agem ilegalmente dentro da Floresta Nacional de Jamanxim, em Novo Progresso, Pará, parecem ter incluído assassinato na lista criminal. Na sexta-feira (17), o policial João Luiz de Maria Pereira foi morto durante operação do Ibama de combate ao desmatamento e garimpo no local. O homicídio está sendo investigado pela Polícia Federal e já existe um suspeito.

A operação contava com o apoio da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Pará. Durante a fiscalização, os agentes destruíram o acampamento dos madeireiros. Não havia ninguém no local. Na volta, a equipe foi atacada a tiros. A emboscada ocorreu por volta das 15h30, numa estrada conhecida como Vicinal da Francy, a cerca de 80 quilômetros da área urbana de Novo Progresso. O sargento João Luiz foi baleado no pescoço e no ombro e morreu a caminho do hospital, 40 minutos após o ataque. O policial tinha 44 anos e era do Grupamento Tático Operacional do Comando Regional da PM de Itaituba.

Na véspera da emboscada, a mesma equipe havia apreendido um trator, um caminhão e várias motosserras que pertenceriam aos invasores. Segundo o Ibama, o ataque foi uma retaliação pela ação dos agentes no local.

Em entrevista a ((o))eco, Jair Schmitt, coordenador geral de Fiscalização Ambiental do Ibama, afirmou que a equipe do Ibama já vinha sendo ameaçada por criminosos.

“Hoje, a Flona de Jamanxim é uma das mais violentas da Amazônia e essa região tem assassinos profissionais envolvidos com desmatamento no garimpo e na grilagem de terras públicas. Existem investigações da Polícia Federal e do próprio Ibama que demonstram todo esse cenário de criminalidade”, afirma.

Divulgação: Ibama.

Divulgação: Ibama.

A operação de fiscalização e combate ao desmatamento foi realizada com base nos alertas de desmatamento gerados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O município de Novo Progresso, no Pará, onde fica a floresta, está no topo da lista de campeões de desmatamento do INPE.

Se a cidade já tem seus problemas, a Floresta Nacional de Jamanxim, criada em 2006 dentro de um pacote ecológico de 2,8 milhões de hectares que o governo usou para combater o desmatamento ao longo da rodovia Cuiabá-Santarém, a BR-163, é um combo para o crime organizado.

“As três principais motivações do desmatamento na região são a grilagem de terra públicas, onde se desmata para vender a terra, a exploração ilegal de madeira, onde se extrai a madeira dentro da Flona do Jamanxim e a atividade garimpeira no local. Todas elas movimentam dinheiro e fortalecem as estruturas criminosas”, explica Jair Schmitt.

Com 1,3 milhões de hectares, até 2014, a unidade perdeu cerca de 11% do seu total para o desmatamento. Ainda segundo Schmitt, mais de 90% do desmatamento em Unidade de Conservação está concentrada nessas áreas protegidas localizadas ao longo da BR 163, como a Floresta Nacional de Itaituba, o Parque Nacional de Jamanxim e a Floresta Nacional de Jamanxim.

 

– Esta matéria foi originalmente publicada no OEco e é republicada através de um acordo para compartilhar conteúdo.

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