: Ibama desarticula esquema criminoso de madeireiros no Mato Grosso

Ibama desarticula esquema criminoso de madeireiros no Mato Grosso

sex, 28 de agosto de 2015

No chamado Nortão do estado, operação “Malha Verde” encontra rede que fraudava documentos para facilitar a venda de madeira extraída ilegalmente.

Com apoio da Polícia Civil de Mato Grosso, o Ibama desarticulou este mês um esquema criminoso de comercialização de créditos e guias florestais que funcionava no chamado Nortão de Mato Grosso. A região tem altos índices de desmatamento e está inserida no chamado arco do desmatamento, contorno de maior pressão sobre a Amazônia Legal, cujos limites se estendem do sudeste do estado do Maranhão, ao norte do Tocantins, sul do Pará, norte de Mato Grosso, Rondônia, sul do Amazonas e sudeste do estado do Acre.

De acordo com a assessoria de comunicação do Ibama, a ação integra mais uma etapa da Operação Malha Verde, que visa identificar e combater ilícitos ambientais a partir de movimentações irregulares do Documento de Origem Florestal (DOF). O DOF foi instituído pela Portaria n° 253 de 18 de agosto de 2006 do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Trata-se da licença obrigatória para o controle do transporte de produtos e subprodutos florestais de origem nativa. Seja qual for o meio de transporte da madeira, em tora, lenha, carvão vegetal ou serrada nas suas mais diversas formas, o documento deve obrigatoriamente acompanhar a carga, contendo informações como origem e destino, espécie, ano de emissão e nome científico das espécies de madeira transportadas.

A prática de manipular o DOF é uma tentativa de “esquentar” madeira extraída ilegalmente. Segundo a investigação, a fraude começou em 2011 e permitiu que fossem colocados no mercado mais de 60 mil metros cúbicos de madeira de origem ilegal, o equivalente a 1.800 caminhões carregados de madeira nativa. A organização criminosa funcionava em um escritório instalado no município de Alta Floresta, a 800 km de Cuiabá, sede jurídica de duas empresas de fachada dedicadas à comercialização e exploração de madeira.

Uma pessoa foi presa em flagrante quando finalizava a impressão de três guias florestais falsas que seriam utilizadas para esquentar um carregamento de madeira serrada procedente do município de Nova Monte Verde. A carga teria como destino três municípios paulistas. Os agentes apreenderam computadores, aproximadamente R$ 10 mil em dinheiro, talões de cheque e documentos que confirmam o funcionamento do esquema.

Transporte da madeira serrada ou bruta deve ser feito com o documento emitido no site do Ibama. Foto: Fabio Pellegrini

Entre os investigados estão o prefeito de Alta Floresta, Asiel Bezerra de Araújo, e integrantes da diretoria do Sindicato dos Madeireiros do Extremo Norte de Mato Grosso (Simenorte).

Com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), foram apreendidos ainda três caminhões com carregamentos de madeira serrada de origem ilegal, totalizando 83,3 metros cúbicos. Os veículos foram interceptados na BR-163 e estavam com guias florestais falsas. O Ibama informou ainda que outros carregamentos também estão sendo rastreados.

A operação bloqueou 24 empreendimentos diretamente envolvidos nas atividades ilegais. A medida impediu a comercialização de mais de 100 mil metros cúbicos de madeira que, possivelmente, seriam utilizados no esquema criminoso, o que equivale a aproximadamente três mil caminhões carregados de madeira.

Uma placa de identificação de uma madeireira envolvida foi encontrada fixada em uma residência e outra em um lava-jato. A maior parte das transações entre os envolvidos ocorria pela internet. Os investigados são acusados de crimes ambientais, formação de organização criminosa e falsidade ideológica.

O superintendente do Ibama no Mato Grosso, Marcus Keynes, disse que o Núcleo de Inteligência do Ibama está trabalhando intensamente para desarticular e interromper esses esquemas ilegais no setor madeireiro, “que causam muitos prejuízos, tanto econômicos quanto ambientais, para o estado e para a sociedade”. “Essa concorrência desleal prejudica também os esforços para que o setor madeireiro trabalhe de forma sustentável”.

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A ação impediu a comercialização do equivalente três mil caminhões carregados de madeira. Foto: arquivo Fabio Pellegrini

– Esta matéria foi originalmente publicada no OEco e é republicada através de um acordo para compartilhar conteúdo.

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