por Giovanny Vera y Gustavo Faleiros

Pulgar Vidal será el presidente de la COP 20, la Cumbre del Clima de la ONU que se realizará en Lima. Foto: InfoAmazonia.org

El ministro de Medio Ambiente de Perú, Manuel Pulgar Vidal, dijo en una entrevista al equipo de InfoAmazonia.org en Lima el jueves pasado, 08 de este mes, que espera cerrar el acuerdo sobre el mecanismo de Reducción de Emisiones por Deforestación y Degradación Forestal (REDD+) durante la 20a. Conferencia de la ONU sobre el Climático, que se realizará este año en Perú.

Pulgar Vidal afirmó que espera lograr el acuerdo respetando la principal preocupación de países como Bolivia y Ecuador, sobre las salvaguardas a los derechos indígenas.

Entrevista completa en español

El ministro también comentó uno de los principales problemas de la Amazonia peruana: la minería ilegal de oro en Madre de Dios. Para Vidal, la única forma de revertir el proceso es presentar alternativas económicas para los miles de inmigrantes que llegan a la Amazonia en busca que riqueza.

“La estrategia de Perú de combate a la minería ilegal es inteligente. Será difícil, creo que nos tomará años para llegar a una solución completa, pero está bien orientada. La idea de contar con un plan de desarrollo es fundamental”, explicó.

Por esta razón, el ministro mencionó como ejemplo el estado brasileño de Acre, que adoptó la “economía del bosque en pié”. Más recientementemente, el gobierno de Acre presentó un plan de créditos de carbono que es visto como un modelo a ser seguido por otras regiones.

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¿En su opinión, qué significa el reciente contacto que vimos de indígenas aislados que cruzaron la frontera de Perú con Acre? ¿Representa algún tipo de alerta sobre presiones por ellos sufridas en la Amazonía?

Esta evidencia en fotografías y videos de poblaciones indígenas en aislamientos voluntario termina por aumentar conocimiento a la sociedad peruana y a la sociedad brasileña de que estos pueblos existen, que determinaron su propia forma de vida, que dependen de recursos naturales y habitan el territorio de forma nómada. Debemos proteger sus derechos, porque tienen autonomía para decidir cómo deben vivir, y esa decisión debe ser respetada. En relación a los desplazamientos, creo que ni siquiera la antropología pudo llegar a una conclusión para explicarlos. Puede ser una cuestión de madereros ilegales o puede ser una presión por minería ilegal. ¿O incluso una presión por el crecimiento de las ciudades que generan ciclos migratorios, o de escasez de recursos? ¿Será que podríamos decir que es una cuestión de cambio climático en los patrones amazónicos?

Creio que não devemos atribuir apenas a um fator. Creio que a sociologia e antropologia seguirão nos dando pistas porque ocorrem estes movimentos migratórios. Por outro lado, o que fica claro,é que quando se criam práticas sólidas de conservação e de manejo sustentável dos recursos, estas populações se aproximam destes locais. O melhor exemplo disso tem sido a presença de populações em isolamento voluntário na bacia do Rio de los Amigos, onde existe uma concessão para a conservação no Peru. Acho que daqui se pode tirar lições positivas: como uma prática de conservação permite melhor entendimento e que se respeitem os direitos que merecem.

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Neste momento, existem pressões sobre a Amazônia peruana vindas da mineração ilegal de ouro. Como a política do governo aborda esta pressão?

Em toda a Amazônia, as políticas foram elaboradas a partir do mito de que é infinita, desocupada e vai nos ajudar a sair da pobreza e muitos outros mitos que hoje, felizmente, já começamos a quebrar. No passado estes mitos ajudaram a criar processos migratórios, principalmente de gente muito pobre, que saíram dos Andes e buscavam na Amazônia uma alternativa. Além disso, foram processos muito perversos, incentivados pela crença de que a floresta não é produtiva, mas que uma fazenda era a forma de dar à terra produtividade. A mesma ideia que existe no Brasil: a mata tem que se derrubar para se produzir.

Em nossos países existem zonas que expulsam aos que são pobres e as zonas que são receptoras, que muitas vezes não têm capacidade, serviços, para receber tanta gente. Isso leva a impactos como a mineração ilegal em Madre de Dios, que são regiões que tiveram, por décadas, padrões de ocupação bastante desordenados. Muita gente que chega ali não encontra alternativa econômica e que quando sabe que se pode encontrar ouro nos barrancos dos rios, o único que faz é dinamizar a mineração ilegal.

Embora possa receber críticas, a estratégia do Peru de combate à mineração ilegal, é inteligente. Será difícil, acho que nos tomará anos para chegar uma solução completa, mas está bem orientada. No caso de Madre de Dios, a ideia de contar com um plano de desenvolvimento é fundamental. Foi anunciada pelo presidente da República [Ollanta Humala]. Seria interessante ouvir mais e trazer pessoas do Acre sobre toda sua estratégia de carbono e desenvolvimento sustantável, assim como outras pessoas do Brasil para que nos contem como estão tratando de reverter esse tipo de processo.

Outras pressões vêm do incentivo à investimentos na atividade petroleira. É possível conter pressões sobre Amazônia deste setor?

No caso do petróleo, houve momentos distintos de aproveitamento do recurso. A exploração petroleira na Amazônia vem desde os anos 70. Há algumas experiências ruins principalmente porque não existia regulação. Mas também outras experiências interessantes, inclusive muito destacadas pela revista The Economist, como Camisea [projeto de exploração de gás], onde não houve a construção de quase nenhuma infraestrutura. Foi uma ilha que não gerou processos migratórios. Portanto o que creio que temos que fazer é estabelecer todos os standards. Me refiro às regras ambientais e sociais que permitam compatibilizar o aproveitamento de hidrocarbonetos com a fragilidade do ecossistema amazônico. Nós não acreditamos que se deva banir a atividade totalmente, mas tem que se fazer uma transição para um situação de maior ordenamento.

Como Peru vai se posicionar sobre o tema dos combustíveis fósseis durante a COP20?

Temos que lembrar que a COP é um espaço de negociação e onde provavelmente não vamos discutir o tema do petróleo. O que vamos discutir é a relevância que tem o ecossistema amazônico, a relevância que têm seus serviços ambientais. Ou ainda a importância de se manter a floresta em pé e porque isso significa uma alternativa às ameaças de desmatamento. Felizmente, o REDD+ [mecanismo de redução de emissões florestais] avançou muito em Varsóvia (COP 19), mas que ainda precisa avançar com todas as salvaguardas. Espero que em Lima avancemos muito com isso e que tenhamos já para Paris [onde se realizará a COP21] um REDD+ consolidado. Mas reconheçamos uma coisa: os mercados de carbono para florestas não estão ainda suficientemente maduros para designar um valor significante. Não pode estar tão baixo o valor da tonelada de carbono vinculada à floresta, porque o nível de investimento e o custo de manutenção é provavelmente mais alto do que se recebe. E quando se luta contra uma atividade como a mineração ilegal sustentada pelo preço do ouro – 1200 dólares a onça versus 5 ou 6 dólares a tonelada de carbono, se pode entender imediatamente o desafio.

Na América do Sul temos visões bastante divergentes entre os países sobre o REDD. Bolívia já anunciou que não adere a este mecanismos. Brasil apoia desde que o mercado não seja movido por créditos ou compensações. Como alinhar a diplomacia?

Definativamente o debate climático gerou uma mudança na forma como se organiza o mundo. Por exemplo, a velha tradição de países andinos caminhando de mãos dadas não necessariamente se vê no debate sobre as mudanças do clima. Bolívia e Equador formam um grupo, enquanto Peru e Colômbia são parte de outro grupo. Não é a maneira como se organizavam economicamente no passado. Sendo assim, creio que o que devemos encontrar é um elemento comum. Se sabemos que, no caso de Bolívia, a preocupação com REDD são as salvaguardas aos povos indígenas, acho que é um tema sobre o qual devemos avançar. Fazer uma COP na América Latina significa conseguir pontos de encontro. Para Brasil, a principal preocupação é manter o princípio das responsabilidades comuns porém diferenciadas. Mas sabemos que há um consenso que este sistema permanece vigente, inclusive entre os países desenvolvidos. A grande dúvida e se vamos conseguir resolver estas questões. A mim, como presidente da COP, me cabe ser neutro e tentar ir além das diferenças.